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Red Flags x White Flags: Os Sinais que Ferem e os que Salvam o Amor

  • agdagalvaopsic
  • 6 de jan.
  • 6 min de leitura


Fala-se muito sobre as red flags, os sinais de alerta em um relacionamento. Mas e as white flags? Os sinais de que o amor é seguro e de que há espaço para crescer, ser e sentir? Entre aquilo que fere e aquilo que cura, existe uma dança delicada de comportamentos, palavras e silêncios. 


Este texto é um convite para olhar com mais consciência para ambos os lados, reconhecer os padrões que adoecem, mas também valorizar os gestos que salvam a alma e mantêm o amor vivo.


No início de um relacionamento, é natural estarmos envolvidos por uma atmosfera de encantamento. Tudo parece intenso, mágico, cheio de possibilidades. Ressalte-se que, ao nos depararmos com o outro, não encontramos apenas uma presença externa, mas também aspectos esquecidos, rejeitados ou idealizados de nós mesmos; reflexos do nosso mundo interno projetados na relação.

Todavia, há momentos em que o encantamento não é amor real, e sim um espelho embaçado por desejos, traumas e ilusões. É nesse contexto que podem surgir as red flags, ou “bandeiras vermelhas”: sinais claros de que algo está errado, mas que muitas vezes ignoramos em nome do amor, da esperança ou da fantasia.

Ignorar esses sinais é, simbolicamente, calar a própria alma. E quando calamos a alma, adoecemos em silêncio, em confusão, em dor.


Por que ignoramos as red flags?

Porque todos nós projetamos. Nos apaixonamos por imagens internas que lançamos sobre o outro, sem perceber. O que parecia um "parceiro ideal" pode ser apenas a imagem do nosso Animus ou Anima, o arquétipo do masculino ou feminino dentro da psique. Mas essa projeção também pode vir de outras camadas psíquicas: da Persona, da Sombra ou de Complexos inconscientes que buscam expressão. Assim, muitas vezes, estamos amando essa imagem e não a pessoa real.


Essa idealização pode nos tornar cegos a comportamentos que, vistos de fora, seriam inaceitáveis. Nos convencemos de que “a pessoa vai mudar”, “não foi tão grave”, ou “a culpa foi minha”. O amor, quando dominado pelo inconsciente, vira prisão, não libertação.


Mas há o outro lado. O das white flags.

As white flags são os sinais sutis, e muitas vezes silenciosos, de que o amor está em sintonia com a alma. Não são gestos grandiosos, nem frases feitas. São hábitos constantes que nutrem, protegem e inspiram confiança. São pequenas ações, repetidas ao longo do tempo, que mostram que há espaço para ser quem se é, sem medo.

Na perspectiva junguiana, poderíamos dizer que as white flags surgem quando há abertura para a individuação mútua, o processo em que dois seres caminham lado a lado, respeitando o mistério um do outro, sem tentar moldar, controlar ou apagar. Onde há presença, escuta e tempo. Onde o Self, o centro regulador da psique, encontra expressão através do amor vivido com consciência.


Exemplos de white flags:

  • O outro se alegra sinceramente com a sua alegria, sem competição.

  • Há espaço para conversar sobre erros sem medo de punição.

  • Você sente que pode ser vulnerável sem ser diminuída.

  • Seus limites são respeitados, mesmo quando não são compreendidos de imediato.

  • Há uma escuta real, não só de palavras, mas de silêncios.

  • A relação sustenta os rituais, os ciclos e as transições da vida com reverência.


Esses sinais, tanto as red flags quanto as white flags, não aparecem uma vez ou outra. Eles se repetem. Eles persistem. Eles criam raízes.

As white flags sustentam a alma dentro da relação, mesmo nos momentos difíceis. As red flags, quando constantes, indicam um padrão que fere, desorganiza e adoece.

Enquanto as red flags nos mostram onde a sombra domina, as white flags revelam onde a luz da consciência começa a penetrar. Ambas são mensagens da psique profunda. Ambas pedem escuta.


As principais red flags e seus significados simbólicos:

1. Controle disfarçado de cuidado

Quando a outra pessoa quer saber onde você está o tempo todo, com quem fala, o que veste, o que publica. Ela diz que é “zelo”, mas na verdade quer controle.

Esse comportamento nasce da própria sombra projetada no outro: insegurança, medo e dominação camuflados de amor. A alma, nesse caso, se sente sufocada. A espontaneidade desaparece. Você começa a moldar seu comportamento para evitar conflito, e se afasta de si mesma.


2. Gaslighting: a distorção da realidade

Você se sente louca, confusa, questiona sua memória e suas emoções. Ouve frases como: "você é muito sensível", "isso nunca aconteceu assim", "você inventa coisas".

Esse é um tipo de abuso psicológico silencioso e profundo. A outra pessoa mina sua confiança interna para manter o poder da narrativa.

Quando a realidade interna é negada por tempo demais, o ego enfraquece, e a psique pode fragmentar-se. A alma pede socorro, às vezes em forma de ansiedade, insônia, pesadelos.


3. Culpa constante

Se você sente que está sempre errada, que precisa se desculpar o tempo todo para manter o relacionamento “em paz”, isso é um sinal de desequilíbrio de poder.

A culpa excessiva revela um relacionamento onde o amor não cura, mas condiciona. Você não pode crescer se está constantemente se diminuindo para ser aceita.


4. Falta de empatia emocional

Quando você compartilha algo importante e a outra pessoa ignora, minimiza ou ri. Ou pior: usa suas vulnerabilidades contra você.

Isso destrói a confiança e a intimidade, pilares de qualquer relação consciente. O amor verdadeiro é uma via de individuação mútua. Não é fusão, nem dominação. É crescimento.


5. Isolamento social

A outra pessoa critica seus amigos, inventa motivos para você deixar de ver sua família, diz que “ninguém te entende como ela”. Isso é uma forma clássica de controle emocional.

O isolamento rompe o círculo de apoio da alma. Sem testemunhas, o sofrimento se intensifica e fica sem nome.


6. Sabotar datas especiais ou momentos felizes

Você já percebeu que, sempre que se aproxima uma data importante, como um aniversário, festas, conquistas pessoais, alguém cria um conflito, desaparece emocionalmente ou gera tensão desnecessária?

Pessoas que sabotam momentos de alegria estão, muitas vezes, dominadas por aspectos inconscientes não integrados: mágoas antigas, inveja, dificuldade em lidar com felicidade ou com intimidade verdadeira.

Essa é uma expressão da sombra: a parte da psique que rejeita o que não pode aceitar em si mesma. Quando a luz da celebração se acende, a sombra tenta apagar.

Com o tempo, a vítima que convive com isso aprende a não comemorar mais nada. Vai se anulando aos poucos. E esse é um dos caminhos mais sutis de adoecimento da alma.


Como o inconsciente avisa que algo está errado?

  • Um peso no peito

  • Uma angústia inexplicável

  • Um sonho recorrente de queda, prisão, perseguição

  • Um cansaço que não passa

  • Um sentimento de estar “menor” a cada dia

Esses são os sinais que o inconsciente oferece quando a consciência não quer ou não pode enxergar. A pessoa começa a se apagar. A criatividade some. A intuição é silenciada.

O que fazer?

  • Confie na sua intuição.

  • Escreva o que está sentindo.

  • Busque apoio.

  • Permita-se sair. Amor não é prisão. Amor é caminho.


Reconhecer que um relacionamento é nocivo, não é um fracasso. É libertação.

Você não está errada por amar, mas precisa lembrar que o amor que adoece não é amor verdadeiro.

O verdadeiro amor começa quando você escuta o grito suave da sua alma dizendo: “Eu mereço mais. Eu mereço paz. Eu mereço ser inteira.”


E quando a alma encontra um sim...

Se as red flags nos pedem coragem para partir, as white flags nos convidam a ficar,  não por medo da solidão, mas por alegria na presença.

Há relações onde a alma respira. Onde o tempo não pesa. Onde a escuta é silenciosa e a verdade pode ser dita sem punição. Estar com alguém assim é partilhar o caminho da individuação.

Nessa jornada, duas almas não se fundem: caminham lado a lado, sustentando a inteireza uma da outra. Há espaço para a dor, para o erro, para o recomeço, e também para o riso, o prazer e a celebração.

Nem tudo será fácil. Mas tudo será verdadeiro.

Quando o amor é consciente, ele cura sem prender, liberta sem abandonar. E é nesse amor que o Self encontra morada. É nesse amor que a alma descansa.


E se você sente que está pronta para transformar suas red flags em white flags, saiba que isso é possível. A transformação começa a melhorar quando escolhemos escutar a alma e dar um passo consciente em direção à verdade.

A psicoterapia é esse espaço seguro onde a sua história pode ser acolhida, onde os padrões podem ser compreendidos e onde o amor-próprio pode florescer.

Se algo em você sussurra que é hora de se cuidar, de se ouvir, de se escolher, esse talvez seja o seu primeiro sinal branco para si mesma.


Agda Galvão 

Psicoterapeuta Junguiana 


 
 
 

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